AS CRISES DE REPUTAÇÃO QUE MARCARAM 2019 – INCLASSIFICÁVEIS (10/10)

Muitos dos casos que geraram crises em 2019 e deixaram lições para 2020 não se encaixam facilmente em categorias de análise e, independente do tamanho da crise, pelo absurdo da situação agrupamos em crises de causas inclassificáveis. Entre elas estão, desde um tweet da companhia aérea KLM que tratou da taxa de fatalidade dos assentos do avião, afirmando que nos assentos do meio da aeronave a taxa de fatalidade é menor, assustando seus seguidores; até situações como a morte de um aluno da Universidade de São Paulo (USP), que foi esmagado por um armário que carregava em um dos elevadores da Escola Politécnica.

Não faltaram casos nos quais a sociedade se perguntou quem estaria à frente das decisões que desencadearam os problemas e chegaram, em muitos casos no nível de tragédia. Algumas tem respostas conjunturais e de longo prazo e, em sua maioria passam por aspectos culturais.

Um exemplo disso é o super calor na Europa. As temperaturas acima dos 40º que assolaram países frios como a França, a Bélgica e a Alemanha provocaram mais de mil mortes. Certamente, as causas foram sendo construídas ao longo da era industrial e da consolidação dos nossos modelos produtivos. Por muito tempo, a destruição ambiental era aceita e tolerada como condição para o desenvolvimento. Dos pequenos hábitos individuais às decisões governamentais e aos grandes negócios geradores, as causas e decisões geradoras da crise estão distribuídas e, em sua maioria, continuam sendo produzidas.

Na lista das inclassificáveis, a equipe da Verity Consultoria escolheu o caso do incêndio do CT do Flamengo, no Rio de Janeiro, no qual morreram 10 atletas das categorias de bases. O absurdo permeia toda a crise que ainda no acabou. No ano em que o Flamengo viveu grandes vitórias em quase todos os campeonatos nos quais participou e que faturou mais do que qualquer outro clube de futebol brasileiro, teve que explicar como os atletas estavam alojados em situações precárias, assim como a completa ausência de mecanismos de prevenção e alertas exigidos pela legislação brasileira.

Imagem: O Tempo

A gestão da crise – Assim como o incêndio, ocorrido na madrugada do dia 8 de fevereiro, evidenciou a precariedade do espaço físico reservado para ao atletas de base que vinham de outras cidades e eram hospedados pelo clube em péssimas condições, a gestão total do evento mostrou a falta de preparo das lideranças do Clube para conduzirem a situação. Não houve medida concreta anunciada no sentido de evitar novos casos ou amenizar a dor de colegas e familiares dos atletas. Ao contrário, a relação com os familiares foi muito mal conduzida.

A falta de diálogo e reconhecimento da responsabilidade, assim como a ausência de homenagem e compaixão com as vítimas colocou o Flamengo em um lugar de organização insensível, preocupada somente em vencer nos campos, mas pouco sensível ao drama humano que causou. Certamente o sucesso em campo ajudou a reduzir o passivo reputacional do Clube. Caso a performance do time tivesse sido desfavorável, certamente o desgaste de imagem e reputação ganharia mais destaque. De qualquer forma, na era da vida digital, não há mais o direito ao esquecimento e, uma rápida visita aos mecanismos de busca mostram um imenso volume de informações que trazem sombra para o anos de 2019 e para a história do Flamengo.

Comunicação da crise – Limitada, restrita às coletivas, a comunicação da crise do Flamengo foi reativa e bem distante do ideal. Coletiva inicial do presidente já trazia uma narrativa preocupada com as consequências jurídicas, portanto cautelosa e desprovida de humanização. Das reações iniciais até o final do ano, o Clube manteve uma linguagem técnica, fria e focada na preocupação com as indenizações a serem pagas para as famílias. Os 10 meninos parecem ter sido esquecidos. Suas memórias foram atropeladas pelas taças e pelos louros das vitórias do Flamengo.

Porta-voz ­– O presidente do Clube, Rodolfo Landim, foi o porta-voz da crise na fase inicial e, posteriormente, o Flamengo passou a se comunicar exclusivamente por meio de notas de suas assessoria de comunicação. A promessa do porta-voz de que não seria poupados esforços para amenizar a dor das famílias não foi cumprida.

AS CRISES DE REPUTAÇÃO QUE MARCARAM 2019

(1/10) As duas maiores crises de 2019

(2/10) Momentos difíceis na reputação das celebridades

(3/10) Crises de má conduta

(4/10) Causas sociais

(5/10) Crises no mundo dos negócios

(6/10) Ano difícil para a educação básica e superior

(7/10) Ambiente tecnológico digital

(8/10) Na política nacional

(9/10) Na política internacional

(10/10) Inclassificáveis