CRISES DE REPUTAÇÃO QUE MARCARAM 2019 – CELEBRIDADES (2/10)

Celebridades vivem de admiração e confiança. Invariavelmente, a devoção dos fãs transcende a exibição do talento específico e invade a esfera privada do artista, cantor, jogador ou seja lá o que for que o destaque. Há um senso coletivo que deseja que a celebridade seja inspiradora em todas as dimensões da vida. Quando se envolvem em situações contraditórias e enfrentam crises, essas pessoas públicas perdem audiência muito rapidamente.

Em 2019, diversas celebridades enfrentaram a ira de seus fãs e o escrutínio da sociedade. Em nossa lista de crises mais sérias está a indiscutível situação vivida pelo jogador brasileiro Neymar Jr. que, em Paris, viveu um conturbado encontro que resultou em acusação de estupro, mobilizou a energia do craque e de sua equipe e o colocou, por muito tempo, longe das notícias de esporte e  próximo da editoria de polícia.

Vamos relembrar os detalhes da gestão, da comunicação e dos porta-vozes dessa crise?

O tumultuado date de Neymar Jr. em Paris – O que seria um relacionamento convencional e com características bem contemporâneas virou um escândalo que manchou o 2019 do atleta brasileiro com maior reconhecimento internacional no cenário atual do futebol. Um bate-papo pelo direct do Instagram, um encontro marcado em um hotel de Paris e o que era para ser apenas um date se transformou no registro de uma denúncia de estupro feita no dia 31 de maio, na 6ª Delegacia de Defesa da Mulher, em Santo Amaro, na zona sul de SP. A modelo envolvida no caso fez a acusação que, rapidamente, se tornou pública, ao chegar de volta ao Brasil. O jogador, que estava concentrado com a seleção brasileira acabou sendo cortado da Copa América após romper o ligamento do tornozelo direito e acabou passando os meses seguintes respondendo às autoridades e à opinião pública.

A gestão da crise – A gestão da crise foi conduzida da mesma forma e com os critérios que regem a gestão da carreira do atleta. Mais do que isso, com a liderança do empresário mor de Neymar Jr., que é o seu pai. Ao público e aos especialistas da área, as decisões tomadas pareceram totalmente improvisadas e pouco profissionais. Os equívocos geraram a recorrente pergunta que se viu nas redes sociais e nos comentários do meio esportivo: ele não é assessorado por bons profissionais da área jurídica e da comunicação, que deveriam estar trabalhando juntos nesse momento? As consequências da má gestão da crise pioraram a relação do jogador com seu clube, o Paris-Saint Germain e interromperam a negociação do atleta com o Real Madrid.

Comunicação da crise –Algumas horas após o registro policial da acusação de estupro, o jogador escolheu falar diretamente para seus fãs e seguidores pelo seu perfil do Instagram e por meio de um vídeo. Com isso, mostrou que compreende o novo ambiente midiático. Ate aí, tudo certo. Os equívocos de Neymar Jr. recaíram sobre o conteúdo da mensagem: (1) o vídeo é longo e confuso – em sete minutos de um conteúdo pouco claro sem objetividade, com frases e ideias repetidas de forma desencontradas, o vídeo não ajuda o internauta a construir uma linha de raciocínio favorável ao jogador; (2) o jogador se vitimiza – Dizer que está triste com a repercussão dos fatos, que se sente injustiçado e etc etc não dá certo. O público quer um posicionamento seguro e contundente e não lamentos que mostrem celebridades choramingando; (3) não há pedido de desculpas aos torcedores e fãs – Os seguidores de Neymar, o seu time e os torcedores, a família dele e os amigos, a seleção brasileira. Era fundamental que ele pedisse desculpas por estar sendo tema de uma discussão que não envolve futebol. Deveria se mostrar arrependido por não conseguir gerenciar sua vida pessoal e ter entrado no meio dessa polêmica. Pedir desculpas é imprescindível; (4) o jogador não nega de forma contundente o ocorrido e não esclarece as acusações – Lamentos e vitimização não respondem o que as pessoas querem saber. As acusações precisam ser negadas de forma contundente para que as pessoas acreditem na inocência do jogador. É óbvio que não se pode mentir nesse caso. Fugir do assunto com sete minutos de blá, blá, blá não vai servir como esclarecimento; (5) ao se defender, comete um crime e expõe imagem do próprio filho – Confiante que estará protegido pela condição de celebridade, o jogador expõe fotos íntimas sem consentimento da autora das denúncias ao apresentar o feed de conversas que só interessaria à polícia. Gera conteúdo para memes, alimenta a polêmica nas redes sociais, pune a possível vítima e, ainda, o que é péssimo, deixa a foto do filho como fundo de tela, associando a imagem da criança a uma troca de mensagens muito questionável.

Porta-voz – o próprio jogador atuou como porta-voz da sua crise. Embora com conteúdo mal organizado e sem estratégia clara e adequada, no caso das celebridades, não há outra saída. Quando advogados e empresários apresentam a versão da crise, a credibilidade costuma ser limitada e a atitude amplia a desconfiança entre os fãs. E foi exatamente o que aconteceu quando o pai do atleta deu entrevista para um programa de televisão tentando explicar os acontecimentos e desencadeou várias críticas e memes que ridicularizaram com a imaturidade do jogador e a incapacidade em gerenciar a própria carreira.

Além desse caso que escolhemos para destacar, também acompanhamos o escândalo envolvendo o jogador equatoriano Cazares, do Atlético-MG. O atleta, afeito a baladas, chamou atenção fora de campo. O caso mais grave aconteceu em setembro de 2019, quando, após uma festa em sua casa, o jogador foi levado para delegacia de polícia sob acusação de agredir duas mulheres em uma festa regada a drogas.

Entre as situações críticas, a mais prolongada, embora sem momentos agudos, foi a da cantora Anitta. Reconhecida como uma excelente estrategista de marketing, teve um ano difícil movido por fofocas e conflitos que pouco tiveram a ver com a música, que é o lugar do seu talento. Os conflitos pessoais envolvendo casos afetivos e parcerias de negócios polêmicas foram sempre gerenciados com contrapontos bem pensados, eventos estratégicos e entrevistas desafiadoras.

No ano que o tenor Plácido Domingo foi acusado de abuso sexual e o  jogador de futebol Cristiano Ronaldo se livrou do processo de estupro que respondia nos EUA, a opinião publica e a emoção pública das redes sociais repercutiram intensamente, também, a morte por acidente do apresentador Ricardo Boechat e do animador Gugu Liberato. Todos os casos com doses elevadas de polêmica e exposição do que usualmente era chamado de vida privada.   

Próximos artigos:

AS CRISES DE REPUTAÇÃO QUE MARCARAM 2019

 (3/10) Crises de má conduta

(4/10) Causas sociais e eventos críticos

(5/10) Crises no mundo dos negócios

(6/10) Ano difícil para a educação básica e superior

(7/10) Ambiente tecnológico digital

(8/10) Na política nacional

(9/10) Na política internacional

(10/10) Inclassificáveis 

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