Comunicação estratégica

Crise pode ser boa? Aumenta visibilidade, vendas e até resultados?


Rosângela Florczak | Sócia Diretora da Verity Consultoria

Tenho ouvido de forma recorrente quem defenda que as crises, mesmo as bem mal administradas, acabam ajudando a dar visibilidade para marcas e organizações. Muitas vezes acho que são apenas aqueles gestores que têm uma visão mais conservadora e não se dispõem a gastar energia pra resolver as situações, preferindo esperar que elas passem e apostando que o estrago será menor e conseguindo enxergar vantagens.

Mais recentemente, escutei esses argumentos, também, no meio acadêmico e entre profissionais de comunicação, o que me causa espanto. A notícias do trimestre lucrativo da Vale, mesmo depois de Brumadinho e outros casos que parecem provar que após a crise a marca não só permanece no mercado como ainda melhora os resultados, reforçam o pensamento de quem defende que as crises que ameaçam reputações, nem são tão graves assim.

Bom, o meu espanto tem a ver com a falta de reflexão de quem consegue pensar que as marcas negativas que mancham a vida das empresas nos momentos difíceis podem gerar mais vendas. Um pensamento simplista que beira o absurdo e que esquece a razão de existir das organizações. A única finalidade é dar resultado econômico? E o fazer sentido para a sociedade, gerando um círculo virtuoso de produção e melhoria da vida das pessoas na área de atuação? A responsabilidade pela Justiça Social, pelo equilíbrio ambiental e pela relevância não contam.

Estou convicta que prevenir as crises ou se preparar adequadamente para agir nos momentos ruins, minimizando o sofrimento e o descontentamento das pessoas é responsabilidade fundamental de quem está à frente de um projeto, de um negócio ou de uma grande marca. Esperar que os acontecimentos negativos passem e sejam esquecidos, negar a responsabilidade e se omitir são práticas de organizações que estão fadadas a entrar para a história como má gestoras de adversidades. Podem até alcançar algum resultado direto em seus balanços financeiros, mas certamente não serão esquecidas pelos estragos causados e pagarão um preço reputacional expressivo no médio e longo prazo.

O melhor é encarar esse mais novo processo com políticas justas para todos os interlocutores da organização. Agir corretamente e entrar para a história como uma marca que se preocupou com as pessoas e assumiu seus erros, corrigindo-os é garantir que a reserva de boa vontade continue beneficiando a marca. Afinal, a sociedade perdoa erros, mas não perdoa omissão e arrogância.

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